quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O cauteleiro


Muitos foram os anos como cauteleiro. Assim formou família e criou os filhos.
Em cada cautela, mil sonhos.
E, uma ou outra vez, sonhos realizados.
O cauteleiro, vendendo a riqueza, continuou sempre pobre.
Mas feliz, porque as cautelas que vendeu deram de comer a muitos idosos, ajudaram muitas crianças a tornarem-se homens.
O cauteleiro está orgulhoso do seu trabalho.

Portas do Sol

Portas do Sol, em Santarém, há muitos, muitos anos. Talvez em meados do século passado.
Um jardim que era o ex libris da cidade.
Por ali passearam, na sua juventude, as mulheres da minha família.
Por ali passeei eu, anos mais tarde.
Não havia volta, aos domingos, que não metesse as Portas do Sol.
E, ali, num banco de jardim, descobri o carinho dos primeiros beijos de amor.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

o meu monstro

Bem, tenho de ir.
Algures por aí, numa esquina, numa rua sombria, num qualquer quarto escuro, está o meu monstro.
Quando a noite estiver próxima da madrugada, ele regressa.
E, então, não saberei se os sonhos são reais ou fantasia.

Montinho

No final do dia, que os dias eram difíceis, juntavam-se na taverna, no Montinho, em Castro Marim.
E a seguir a um copo, vinha outro. Quando saíam, os caminhos já pareciam turvos e confusos.
E chegado a casa, o Nicolau chama da Mariete.
E ela, ralhando, mas sorrindo às escondidas, traz uma pequena bacia com água e lava-lhe os pés.
Como era bonito o amor entre os dois.
Um dia, tudo acabou.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Amigos de S. Tomé

Grandes amigos deixei em S. Tomé.
Apesar de estarmos muito longe, estão presentes no meu coração.
Da esquerda para a direita, o Julio, o Alvaro, pai da grande atleta Naide Gomes, e o Antero, meu companheiro no último trabalho que por ali fizemos.
Um ano destes voltarei para cumprir o prometido. Ir com o Antero à pesca.
Que saudades.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Nirvana

«Nirvana é a meta do budismo, o apagar das paixões e a extinção do ego. É não necessitar mais de reencarnar. É o que todo o budista procura para toda a vida, a paz absoluta. É o que faz do homem comum um Buda. É a iluminação.»
Wikipédia

Apenas a barriga me aproxima dos grandes mestres que atingiram o nirvana. Dos homens que se fizeram Budas.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Amor

Ele, um homem da lezíria. Ela, uma mulher do bairro.
Ele, perdido nos encantos do campo. Ela, sobranceira sobre o Tejo, sem o qual não podia viver.
Ele, cheio de desejos daquela mulher.
Ela, desejosa de lhe mostrar as vistas da sua casa.
E passaram os anos. Ele vive ainda, como nesse primeiro dia, perdido por essa mulher.
Ela, todos os dias, lhe mostra as vistas da casa.
Como nesse primeiro dia.