sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

As 12 Passas

Manda a tradição que à ultima badalada da passagem de ano se comam 12 passas de uva, na mesma cadência dos desejos formulados.
O Ullysses organizou as suas passas numa piramide, representativa das pessoas que conhece nesta sociedade.
Com as primeiras passas que comeu não formulou desejos. Era-lhe completamente indiferente que o papel de figura decorativa fosse desempenhado por este ou por aquele ou que os elementos dominantes alternassem entre o poder político e o poder económico.
Já no que toca às últimas passas, pensou nos seus amigos. Vai ser um ano de dificuldades para quem trabalha por conta de outrem, com reduções nos ordenados, desemprego, aumento dos impostos e do custo de vida. Para eles os desejos sinceros de Um Ano Novo cheio de amor, de saúde, de paz, de harmonia e de solidariedade.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Sobrevivência

Ao cair da tarde, quando o sol se despede da jornada, quando a noite se avizinha, continuamos a labuta. Sobrevivência!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Velhice

Soube que uma amiga adoptou uma gata com 10 anos, a Ruca, a quem os donos faleceram.
Tenho duvidas se foi por dó do animal, se por solidariedade com dois idosos que partiram.
A minha amiga é uma pequena vela que arde nesta sociedade escura.
Uma sociedade cujos filhos abandonam as mães nos lares.
Que os animais, esses, deixam-nos na estrada, em sítios que não lhes permitam regressar.
E, no entanto, o dinheiro corre, desenfreadamente, nas alturas em que é de bem dar nas vistas, como no Natal.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Fonte do Leão

Manhã cedo e o calor já nos deixava extenuados. Sentámos-nos junto à Fonte do Leão, na Falperra, em Braga.
Enquanto esperávamos a vez de saciar a sede e de encher umas garrafas para a restante caminhada, fomos falando com as pessoas que ali estavam. Pessoas das redondezas.
E todas nos disseram que a água da Fonte do Leão era das melhores que se poderiam encontrar em Braga e arredores.
O certo é que ainda hoje recordamos com saudade a sua frescura e leveza.

domingo, 19 de dezembro de 2010

O sentido da vida

Quantas vezes nos questionamos sobre a razão da nossa passagem pela vida.
Ao olhar esta foto do meu filho afasto de mim as interrogações existencialistas e concluo que nada acontece por acaso.
Ele, um dia, numa das crises que a todos toca, perguntará o mesmo.
Nessa altura, olhando para a foto do seu filho verá que a vida tem mesmo sentido.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Estórias de uma moeda

Na década de 60, num domingo de manhã, à saída da missa a minha mãe pegou numa moeda de 2$50 e deu-ma. Não sem antes eu prometer que nada diria à minha avó. Que aquela moeda, no meu conhecimento da grandeza do dinheiro, era algo de grande. Dali seguimos à Biblioteca Gulbenkian onde eu escolhia uns livros para ler durante a semana. Ambos contentes pela partilha.
Muitos anos mais tarde, por volta de 1988/1989, fui fazer um trabalho ao Soito. Lembrei-me então de um Homem que a minha mãe admirava e que já visitara. Rumei direito a Meimão e ali estive à conversa com o Padre Miguel, que muitos acreditam ter sido um santo.
No final da nossa conversa, o Padre Miguel deu-me uma moeda para eu guardar. Também uma moeda de 2$50! Com ela, não me faltaria o essencial para viver. E, para ser sincero, não faltou.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Fernando Namora

Enquanto percorria as ruelas de Monsanto, imaginava um homem que, como médico, lidou com as mazelas de um povo. Ali mesmo, em Monsanto.
E como escritor, deu vida, existência, qualidades e defeitos, a homens e mulheres que extraía do povo.
Ler os seus romances, como as Minas de S. Domingos, o Trigo e o Joio, Domingo à Tarde, Um Sino na Montanha, e tantos outros, é mergulhar noutra dimensão.
Em Monsanto, Fernando Namora exerceu a profissão de médico. Em todas as aldeias deste Portugal, a de escritor de um povo amargurado.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Onde estás?

«A saudade sabe a ti, transporto na minha boca o teu sabor, que se desfaz devagarinho, como se fosse um doce, caramelo que se pegou aos dentes. O teu corpo, esse ficou colado ao meu para sempre. Já desisti de tentar libertar-me dele.»
Luísa Castel-Branco, Para Ti

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Juventude

Por vezes, basta um pequeno click na rotina do dia-a-dia para que a memória passe pequenos filmes de grandes momentos vividos.
Poderia, com certeza, evocar momentos de infelicidade. Mas não me lembro deles.
Recordo, isso sim, a felicidade de ter vivido onde vivi, de ter conhecido quem conheci e de ter amado quem amei.

Tita

Quem visitou a Roça de S. João não pode esquecer o sorriso desta jovem.

Eu gostava de ser assim. Acordar manhã cedo e sorrir para mim mesmo. Ir para o trabalho e sorrir para os colegas. Chegar à noite e sorrir para a família e amigos.
Porque o sorriso mais não é que a alegria pela vida, o amor aos semelhantes. O gostar do nosso eu.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Relógio de Sol


Olhei o relógio de sol em Tourém e fui transportado para uma terra distante, uma escola primária, meninos de bata branca e a primeira data que recordo ter ouvido: 1962.
Os anos passaram então a inundar a consciência, com intensidade, em catadupa.